1. Soneto Italiano (Petrarquiano)
A forma reina absoluta na lírica lírica lusófona desde a introdução por Sá de Miranda em 1527 e a consagração imortal por Luís de Camões. É composto por dois quartetos e dois tercetos, desenvolvendo uma proposição, contraposição e remate conclusivo (chave de ouro).
Exemplos canônicos no Lírica: Amor é fogo que arde sem se ver (Camões), Soneto de Fidelidade e Soneto de Separação (Vinícius de Moraes), Ouvir Estrelas (Olavo Bilac).
2. Soneto Inglês (Shakespeariano)
Popularizado por William Shakespeare e adotado por diversos poetas de língua portuguesa, organiza-se em três quartetos de rimas alternadas e fecha-se dramaticamente em um dístico (par de versos emparelhados).
3. Oitava Camoniana (Ottava Rima)
A estrofe nobre da grande epopeia renascentista e barroca. Consiste em seis versos em rima cruzada alternada (ABABAB) seguidos de um dístico em rima emparelhada (CC). Empregada na totalidade dos 8.816 versos de Os Lusíadas (Camões) e na Prosopopeia (Bento Teixeira).
4. Décima Espinela
Criada pelo poeta espanhol Vicente Espinel e tornada patrimônio inestimável da poesia peninsular e da cantoria/repente nordestino brasileiro. Possui uma pausa sintática e lógica obrigatória após o 4º verso e não admite rimas soltas.
Exemplo no Lírica: Ninguém viva descurado (Vicente Espinel).
5. Martelo Agalopado
Gênero virtuoso do repente e cordel brasileiro inspirado na poesia italiana do século XVI. O verso exige acentuação estrita e marcial nas posições 3, 6 e 10, produzindo uma cadência rápida e percussiva característica do galope sertanejo.
Exemplo no Lírica: Martelo Agalopado do Sertão (Tradição / Zé Limeira).
6. Haicai (Haiku Clássico)
Forma de origem japonesa adaptada magistralmente ao português por Guilherme de Almeida, Afrânio Peixoto, Paulo Leminski e Alice Ruiz. Exige estritamente a sequência de 5 sílabas (redondilha menor), 7 sílabas (redondilha maior) e 5 sílabas.
7. Redondilha Maior (Quadra / Trova)
A medida velha nacional, presente desde as cantigas medievais até a poesia romântica e a música popular brasileira.
Exemplo no Lírica: Canção do Exílio (Gonçalves Dias), Autopsicografia (Fernando Pessoa).